Rochas ornamentais uma alternativa para o desenvolvimento econômico da Bahia

Arquitetos, construtores e consumidores têm reafirmado de modo permanente e crescente o uso da pedra natural, especialmente os mármores e granitos, como elemento de revestimento (chapas, ladrilhos), ornamento (peças, obras de arte) e decoração (artefatos) na arquitetura contemporânea, abrangendo desde unidades habitacionais às edificações de arrojada arquitetura e modernidade, construídas em todo o mundo.

As novas tecnologias de extração, beneficiamento e logística, viabilizaram o aproveitamento e difusão de novas rochas até então desconhecidas, permitindo, através de soluções funcionais, criativas e confiáveis na construção civil, a satisfação econômica e estética do mercado.

Como resultado dessa interação, registra-se o consumo mundial de 600 milhões de m2/ano, significando um incremento de 90% na última década, eqüivalendo a um taxa média de crescimento, próxima a 7% a.a., portanto, muito acima do crescimento médio da economia mundial, o que caracteriza o setor das rochas ornamentais e de revestimento como um segmento eminentemente internacionalizado e economicamente dinâmico.

Nesse contexto, destaca-se o Nordeste Brasileiro e em particular a Bahia, cujo potencial geológico, localizado predominantemente na região do semi-árido, caracteriza-se pela oferta de materiais de extraordinária diversidade cromática e rara beleza, admirados mundialmente.

O semi-árido, que só na Bahia corresponde a aproximadamente 370.000 Km2, é um espaço sócio-econômico com indicadores dramáticos de desenvolvimento humano e a possibilidade do desenvolvimento sustentado da indústria de mármores e granitos, dada a rigidez locacional geológica, proporcionará:

• Emprego e renda na região;

• Transformação do bem mineral em riqueza mineral;

• Fixação do homem e sua família no interior, contribuindo para conter o êxodo rural urbano;

• Desconcentração e interiorização da atividade industrial;

• Criação e desenvolvimento de pequenas e médias empresas internacionalizadas;

• Nulo ou irrelevante risco ambiental, dadas as características naturais do semi-árido.

Além disso, caracteriza-se como um setor que se destaca pela capacidade de gerar emprego com baixo volume de investimento, podendo consequentemente, contribuir para a redução das desigualdades sociais, as quais estou convencido, em persistindo serão um impedimento ao desenvolvimento econômico sustentado do país.

Não são raros os exemplos de nações que, conscientes das suas potencialidades naturais e das habilidades e necessidades do seu povo, empreendem esforços nacionais envolvendo empresários, governos, instituições e a própria sociedade, no sentido de "criar mercado", desenvolvendo de forma criativa e persistente, "valor de uso" para as suas riquezas. Por certo o fazem por interesses econômicos e sociais dessas nações, o que podemos também traduzir por patriotismo.

Quanto ao setor das rochas ornamentais e de revestimento, podemos afirmar que o desafio que tem o Brasil, para assegurar seu desenvolvimento e consolidação é relativamente menor, dado que o mercado mundial já consagrou definitivamente os granitos brasileiros como elemento arquitetônico econômico, durável e esteticamente belo, caracterizando-os como um símbolo da modernidade.

Cabe-nos portanto promover em nosso Estado a interação de novos esforços aos já empreendidos pelos empresários e suas instituições (SIMAGRAN e FIEB) e Governo do Estado, através da SICM, sensibilizando e integrando centros de formação universitária nas áreas de geologia, arquitetura e engenharia e respectivas entidades de classe, contribuindo para o aperfeiçoamento da indústria e da "cultura da pedra", valorizando a riqueza regional, enobrecendo a já consagrada arquitetura baiana e contribuindo com o desenvolvimento econômico e social da Bahia.

Reinaldo Sampaio
Diretor de Mineração e Indústria do SIMAGRAN-Ba.
Diretor da Peval

 

 

 
 

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